pretty little face stopped me in my tracks, but now she sleeps with one eye open
that's the price she paid
"Don't go away, you fucking asshole, don't go away."
quinta-feira, 29 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
Há um candeeiro, um quadro e um sofá.
A decoração não é complicada mas a casa em si é-o e muito, demasiado até.
O candeeiro é azul e de tão selectivo que nem todas as lâmpadas funcionam devidamente nele.
O quadro, nunca mais me esquecerei, tem uma espiral unida por trezentos e setenta e oito pontos. Conteio-os num dia em que simplesmente não queria pensar que estava ali porque estava sozinha. Contei-os hoje eram seis horas da manhã.
O sofá é o meu melhor amigo, nele choro, rio, deito-me, sento-me, faça o que quero fazer e ele nunca me condena.
Estou aqui sozinha há quase um ano.
Numa manhã saí de casa em direcção ao meu mundo de todos os dias. De repente as minhas pernas mudaram de rumo e eu segui-as. Quando dei por mim estava na estação de comboios. Apanhei o primeiro, não digo para onde porque até hoje ninguém sabe nem pode saber onde eu estou, cheguei aqui.
Escrevo esta carta só para saberes como é o sítio onde eu devia estar e se calhar até estou. O resto é demasiado real para interessar.
Vou voltar.
Não tenho dinheiro e trabalhar é uma das quase todas as coisas no mundo que o ser humano não pode fazer sozinho.
A todos vocês que ficaram para trás, se ainda se lembrarem de mim, não fiquem preocupados. Eu sou cobarde mas eu vou voltar. Se ainda tiverem desse lado fazemos uma festa e tudo voltará a ser como antes.
A carta não tem remetente porque fiz questão de me esquecer do meu nome. Não tem destinatário porque vou fazê-la voar.
Tu que estás a ler esta carta, não sabes quem eu sou. Mas é só mesmo para dizer que estou a pensar seriamente voltar para os teus braços.
Espera por mim.
Se por acaso a recebeste porque estavas apenas a passar na rua podes subir. Era de ti que estava à espera. Preciso de uma pessoa.
É o terceiro direito.
A decoração não é complicada mas a casa em si é-o e muito, demasiado até.
O candeeiro é azul e de tão selectivo que nem todas as lâmpadas funcionam devidamente nele.
O quadro, nunca mais me esquecerei, tem uma espiral unida por trezentos e setenta e oito pontos. Conteio-os num dia em que simplesmente não queria pensar que estava ali porque estava sozinha. Contei-os hoje eram seis horas da manhã.
O sofá é o meu melhor amigo, nele choro, rio, deito-me, sento-me, faça o que quero fazer e ele nunca me condena.
Estou aqui sozinha há quase um ano.
Numa manhã saí de casa em direcção ao meu mundo de todos os dias. De repente as minhas pernas mudaram de rumo e eu segui-as. Quando dei por mim estava na estação de comboios. Apanhei o primeiro, não digo para onde porque até hoje ninguém sabe nem pode saber onde eu estou, cheguei aqui.
Escrevo esta carta só para saberes como é o sítio onde eu devia estar e se calhar até estou. O resto é demasiado real para interessar.
Vou voltar.
Não tenho dinheiro e trabalhar é uma das quase todas as coisas no mundo que o ser humano não pode fazer sozinho.
A todos vocês que ficaram para trás, se ainda se lembrarem de mim, não fiquem preocupados. Eu sou cobarde mas eu vou voltar. Se ainda tiverem desse lado fazemos uma festa e tudo voltará a ser como antes.
A carta não tem remetente porque fiz questão de me esquecer do meu nome. Não tem destinatário porque vou fazê-la voar.
Tu que estás a ler esta carta, não sabes quem eu sou. Mas é só mesmo para dizer que estou a pensar seriamente voltar para os teus braços.
Espera por mim.
Se por acaso a recebeste porque estavas apenas a passar na rua podes subir. Era de ti que estava à espera. Preciso de uma pessoa.
É o terceiro direito.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Certo dia, um colega da escola apontou na rua para uma mulher, dizendo-me:
- Olha para ela, está morta.
Parecia-me impossível que uma defunta se mexesse com aquela naturalidade entre as pessoas. De facto, sabia que era mentira, mas achava excitante acreditar naquilo, de maneira que entrei no jogo dele. O meu amigo assegurou-me que era capaz de descobrir uma mulher morta entre mil mulheres vivas.
- Mas como é que as distingues ?
- De nenhuma maneira concreta e em tudo ao mesmo tempo. Se reparares, estão envoltas por uma espécie de bolha com paredes invisíveis. Quando fores capaz de te apereceber dessa bolha, aprenderás a reconhecê-las.
- Olha para ela, está morta.
Parecia-me impossível que uma defunta se mexesse com aquela naturalidade entre as pessoas. De facto, sabia que era mentira, mas achava excitante acreditar naquilo, de maneira que entrei no jogo dele. O meu amigo assegurou-me que era capaz de descobrir uma mulher morta entre mil mulheres vivas.
- Mas como é que as distingues ?
- De nenhuma maneira concreta e em tudo ao mesmo tempo. Se reparares, estão envoltas por uma espécie de bolha com paredes invisíveis. Quando fores capaz de te apereceber dessa bolha, aprenderás a reconhecê-las.
Os Objectos Chamam-nos . Juan José Millás
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Enquanto vieste, enquanto estiveste e foste restando eu gostei de ti, gostei com a força que tinha nesses dias em que notavas a minha ausência sete segundos depois de eu me afastar de ti.
Depois fomos sobrando e desgastando a vida que chego a ter dúvidas que vivi.
Em cada passo à frente estava presente um cem número de passos de corrida que teimavam em só funcionar quando se corria para trás.
Chegamos ao início na altura em que tudo à nossa volta já tinha chegado ao fim.
Na realidade perdemos, não naquele momento mas em todos os outros. Todos aqueles em que o que restava estava apenas a sobrar.

Como prémio guardo o medo, tenho-o na estante que me ajudaste a montar.
O pó até o limpo de vez em quando, mas o medo está-se sempre a sujar.
De resto nada tenho, a não ser a dúvida de que por tão sumido ser, concluir que tudo aquilo na realidade nunca cheguei a viver.
Depois fomos sobrando e desgastando a vida que chego a ter dúvidas que vivi.
Em cada passo à frente estava presente um cem número de passos de corrida que teimavam em só funcionar quando se corria para trás.
Chegamos ao início na altura em que tudo à nossa volta já tinha chegado ao fim.
Na realidade perdemos, não naquele momento mas em todos os outros. Todos aqueles em que o que restava estava apenas a sobrar.
Como prémio guardo o medo, tenho-o na estante que me ajudaste a montar.
O pó até o limpo de vez em quando, mas o medo está-se sempre a sujar.
De resto nada tenho, a não ser a dúvida de que por tão sumido ser, concluir que tudo aquilo na realidade nunca cheguei a viver.
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